29.3.12

Na temperatura certa

Já falei sobre temperatura em um post anterior mas vale retomar este assunto que julgo fundamental em uma degustação de vinhos.

Para transformar um simples ato de beber em um 'evento' excitante para todos, devemos seguir alguns passos com cuidado: escolher e comprar o vinho; decidir o prato para a harmonização e organizar as taças são apenas os primeiros passos deste ritual. Após tanta dedicação seria um insulto para nossos sentidos servir o vinho na temperatura errada!
A temperatura tem grande impacto sobre o sabor do vinho. Servir um vinho quente ou gelado demais é um enorme passo para estragar o líquido de uma boa garrafa. Se o vinho for servido em temperatura muito baixa fica ‘fechado’ e esconde seus aromas; muito quente, deixa o álcool muito aparente. Em contrapartida, servido na temperatura certa, o vinho fica muito mais interessante na boca, equilibrando acidez, taninos, amargor, álcool e doçura.
Regras: Quanto mais leve um vinho, mais resfriado deve ser servido. Assim, um Beaujolais (tinto leve) deve ser servido a +- 13°C. Já um tinto encorpado com taninos, como um Barolo, pode ser servido menos frio, 19°C. A regra vale para os vinhos de todas as cores.

Para acertar na temperatura utilize um termômetro para vinhos, acessório barato e bastante útil. Para quem não tem adega climatizada, pode-se resfriar o vinho na geladeira facilmente: em média, a cada 10 minutos a temperatura cai 2ºC. Após abertos, o vinho branco deve ser acondicionados em um balde de gelo para manter a temperatura de serviço até o final da garrafa.

TinTin!
Foto: Tintos & Brancos, Saul Galvão
Texto publicado na Revista Alpha Report, Edição 7

21.3.12

A bola da vez!

O Brasil está na crista da onda mundial. As previsões estimam investimentos perto dos 250 bilhões de dólares nos próximos 4 anos. Juntamente com a ascensão ao posto de 5ª economia mundial – posição que devemos alcançar no ano da Copa!, o Brasil também deve ultrapassar o Reino Unido e ocupar o 3º lugar no ranking mundial de investimentos, ficando atrás apenas dos EUA e China. Estes investimentos alavancam diversos segmentos da economia, entre eles, o mercado de vinhos finos.

Um exemplo pontual e significativo do interesse mundial no Brasil, no que se refere à vinhos de qualidade, é o ‘recente’ interesse dos franceses no Brasil. Nos dias 7 e 8 de Março, a Union des Grands Crus de Bordeaux, numa ação inédita no país, trouxe mais de 50 produtores para degustações em São Paulo e Rio de Janeiro. A desculpa, ou melhor, o tema, foi o lançamento da excelente safra 2009.

A SAFRA 2009

Qualidade: após a apresentação oficial, podemos afirmar que a safra 2009 tem tudo para ser uma das melhores da história em Bordeaux. As condições climáticas – o famoso terroir, foram quase perfeitas e as uvas puderam atingir com plenitude sua maturidade. Uma particularidade chamou a atenção: apesar do evidente potencial de guarda, os vinhos mostram maciez suficiente para serem consumidos desde já, algo raro para um Bordeaux jovem e conveniente para um mercado cada vez mais imediatista, com menos consumidores dispostos a guardar vinhos por anos até que fiquem ‘prontos’. Podemos adjetivar os vinhos da safra 2009 como (extremamente) elegantes, equilibrando com perfeição os taninos, firmes mas finos, com uma ótima acidez, que lhes conferem excepcional frescor e (ainda mais) aptidão para a mesa e, por fim, álcool totalmente integrado.

Preços: a última grande safra em Bordeaux foi 2005. A situação econômica mundial na época era próspera – num momento pré-crise financeira, e os vinhos chegaram ao mercado com preços elevadíssimos. Tudo leva a crer que a safra 2009 deve seguir o mesmo caminho, infelizmente. Três motivos devem contribuir para a alta dos preços: a qualidade excepcional da safra; a recuperação econômica mundial e a entrada de ‘novos’ consumidores como a China que alavancam os preços dos vinhos, principalmente os TOPs de Bordeaux.

Tomara que os impostos não aumentem ainda mais, tornando os grandes vinhos de Bordeaux, já caros, totalmente inacessíveis! (leia mais sobre este assunto no post anterior)

TinTin!

16.3.12

Protecionismo: governo estuda salvaguarda para limitar importações de vinho

Nesta semana muito se ouviu sobre as “cotas máximas” para a indústria automotiva do México. Para nossa infelicidade, o VINHO importado também está na mira do governo.
Com o apoio da bancada gaúcha no Congresso, o governo abriu investigação para avaliar a possibilidade de aplicar SALVAGUARDA ao vinho nacional. O pedido veio através do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), da União Brasileira de Viticultura (Uvibra), da Federação das Cooperativas do Vinho (Fecovinho) e do Sindicato da Indústria do Vinho do estado do Rio Grande do Sul (Sindivinho).
Vale dizer que muitos pequenos produtores, mesmo sufocados na recente burocracia do selo fiscal, são contrários a medida.

AÇÃO: Salvaguarda; OBJETIVO: limitar importações de vinho; DADOS: a importação de vinhos cresceu de 37 milhões de litros para 72 milhões, de 2005 a 2011.

IMPOSTOS: a alíquota de importação para vinhos europeus, americanos e australianos subiria de 27% para 55%. Países vizinhos como Argentina e Uruguai – hoje protegidos por tratados do Mercosul, e também o Chile, responsável por quase 37% dos vinhos importados no Brasil, também seriam afetados com a criação de “cotas máximas”, “definição de preço mínimo para o produto” e “mudança na política de licenças” para países do Mercosul.

CAUSA e EFEITO: se aprovado, muitos dão como certa a reversão no atual quadro de expansão do mercado e da cultura do vinho no Brasil, com severa retração no consumo. O maior prejudicado, como sempre, será o consumidor que pagará mais por menos. De volta ao “Leite da mulher amada”, Liebfraumilch!
DIGA NÃO: se você é contra a este absurdo, acesse a Abaixo-assinado contra o projeto. CLIQUE AQUI!
Saibam quem apoioa e quem é contra o protecionismo. Assim fica mais fácil decidir que vinho nacional comprar daqui pra frente:
EMPRESAS QUE APOIAM AS MEDIDAS PROTECIONISTAS: Miolo, Salton, Aurora, Perini, Don Giovani, Luis Argenta

EMPRESAS QUE NÃO APOIAM: Angheben, Chandon, Vallontano

12.3.12

Comer, Degustar, Harmonizar

Tenho dúvidas se foi o acaso que traçou o meu caminho pelos prazeres do comer e beber ou talvez eu tenha tido suficiente influência da minha infância, repleta de momentos à mesa, com dúzias de familiares na cozinha conduzindo panelas de todos os tamanhos. Tudo regado por muita cerveja e cachaça! Acredito que nesta fase, absolutamente sem ter idéia do que se passava, desenvolvia uma intimidade com os prazeres da mesa, suas texturas, sabores e aromas. Esta etapa ‘introdutória’ se estendeu durante prazeirosos e despretenciosos anos.

Acredito que minha introdução no mundo do vinho se deu de maneira natural, como deve acontecer com a maioria das pessoas. Comprava vinhos baratos em supermercados, escolhendo pela uva, por 'marcas' conhecidas ou até mesmo pelos rótulos mais bonitos. As compras mais comuns eram de Carménères chilenos ou Malbecs argentinos por 2 motivos básicos: eram mais acessíveis ao meu limitado poder aquisitivo e apresentavam rótulos mais ‘amigáveis’ se comparados aos indecifráveis franceses. O início da vida de trabalhador contribuiu para este desenvolvimento, através de cursos na área e também com mais dinheiro sobrando para gastar nas coisas boas da vida! Lá se foram mais alguns anos. Neste momento Cabernets já eram diferentes de Merlots!

Na verdade, eu gosto simplesmente de comer e beber. Eu como quase de tudo e tenho trabalhado para tirar o ‘quase’ desta frase. Também bebo de tudo – principalmente se tiver mais que 12% de álcool – brincadeira, alguns vinhos e cervejas são exepcionais mesmo com baixo teor alcoólico. O grande desafio, porém, é harmonziar os dois elementos, criando novas sensasões. Na minha humilde opinião, apesar da enorme e diversificada oferta de bebidas mundo afora, não há uma bebida mais adequada que o vinho para acompanhar uma refeição.

O mundo do vinho é tão vasto e diversificado quanto o da gastronomia, conjugando infinitas formas e possibilidades. Sigo buscando novas combinações e sensações.

27.2.12

Um vinhedo na Toscana


Um vinhedo na Toscana é leitura obrigatória para qualquer sonhador!

- Você não iria querer ter um vinhedo – sentenciou Paolucci. – Um vinhedo é como um túmulo: o morto, ali, não pode jamais sair da terra.
- Mas e quanto à soddisfazione? – pergunta Máté
- Aqui está a soddisfazione! – disse ele erguendo seu copo. – Eu posso lhe dar toda a soddisfazione que você puder beber. Por que arruinar a sua vida?

O livro conta uma passagem da vida de Ferenc Máté que em outros tempos trabalhou como construtor de barcos, fotógrafo e editor de livros. Nascido na Hungria, cresceu em Vancouver e viveu em várias partes do mundo como California e Paris. Foi vivendo na Toscana com sua esposa Candace e com seu filho Peter, mergulhado num mundo de paisagens deslumbrantes e levando uma vida tranquila que ele desenhou seu sonho: se transformar em um produtor de vinho.
São 260 páginas de uma história deslumbrante e inspiradora, contada com muito senso de humor. Com invejável determinação (e fundamental apoio de sua esposa e fiel-escudeira), Máté desbrava a Toscana em busca do local ideal para dar vida a seu sonho. Após encontrar um terreno abandonado de 60 hectares em Montalcino (ao lado de Gaja), vem a saga da reconstrução de sua futura casa, um Mosteiro do século XIII.
Hoje, Ferenc Maté é um produtor de reconhecimento internacional.
Livro: Um vinhedo na Toscana, uma passione italiana, Editora Seoman.

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