9.8.13

Capril do Bosque

Um dia depois de nossa última Confraria "Queijos e Vinhos", foi publicado no Estadão uma ótima reportagem sobre uma produtora de queijos de cabra artesanais. A coincidência temática e a bela história da produtora nos incentivou a conhecer seus queijos e, claro - a Laura, a Benê, a Dalila, a Panélope, a Chafurdona - suas cabras.

Entramos em contato com a proprietária via facebook e rapidamente obtivemos resposta e marcamos uma visita. No domingo passado (4), com sol e céu azul, pegamos a estrada rumo ao Capril do Bosque, em Joanópolis. São cerca de 120km de São Paulo, pela Fernão Dias, logo depois de Bragança Paulista. Viagem fácil e agradável!
Depois de 15 anos "brincando" de produzir queijos, a doutora em linguística aplicada Heloisa Collins resolveu encerrar a carreira de diretora de Departamento de Inglês da PUC, fazendo da criação de Cabras e produção de Queijos sua nova profissão. Good for us!

Foto: Heloisa Collins e Taís de Souza.



Antes de iniciarmos os 'comes e bebes' fomos conhecer as famosas cabras. O 'tour' foi comandado pelo pra lá de simpático Sebastião (foto abaixo). Ele está no Capril há 8 meses e antes cuidava de gado. Até se adaptar ao novo tipo de animal disse (com voz baixa de culpa) ter perdido alguns litros de leite pois as cabras são ariscas e acabavam derrubando os baldes de leite, recém tirados. As cabras são das raças Saanem e Boer mas algumas recém-nascidas já são resultado do cruzamento das 2 raças. É o amor!

Quando voltamos ao Bistrô o movimento já era intenso e tratamos logo de garantir nossa mesa.
A chef Ju, responsável pela cozinha do Bistrô, é filha de Heloisa.
 
Menu sugerido:
Couvert (cesta de pães, patês de manjericão e azeitonas pretas e queijo boursin);
Tábua de queijos da casa (Caprino romano, Camembert, Sainte-Maure, Pirâmide, Azul tipo Stilton, Boursin);
Stinco de Cabrito com risoto de camembert e limão.

A produção de queijos ainda é limitada (cerca de 200k por mês) mas deve crescer no tempo certo(e necessário) para não cair a qualidade. Em São Paulo podemos encontrar alguns dos queijos na Queijaria, na Vila Madalena.

Capril do Bosque
Bistrô, Queijo de Cabra e Turismo rural
Sábados, domingos e feriados, a partir das 12h.
Reservas: 9 9609-0773



 

5.8.13

Queijos e Vinhos

Quase um ano depois da última edição, repetimos o delicioso tema 'Queijos e Vinhos' em nossa Confraria.
 
Com casa cheia, degustamos 8 tipos de queijos, sendo 2 no coquetel de abertura e os outros 6 harmonizados com 6 vinhos.
 
De um ano para cá acredito que tivemos uma mudança significativa no cenário comercial, produtivo e também no consumo de queijos no país. A abertura recente de uma loja de queijos artesanais em São Paulo (A Queijaria), mostra o crescente interesse dos apreciadores por queijos de maior qualidade. A casa (e seus queijos garimpados pelo entusiasta e curador Fernando Oliveira) nos inspirou a dar mais espaço aos queijos nacionais em nossa Cofraria.

No coquetel, degustamos 2 queijos nacionais, uma Burrata (de leite de búfala, SP) e um Araxá (de leite de vaca, MG). Ambos excelentes! As harmonizações "queijos e vinhos" foram feitas em 2 baterias, cada uma com 3 queijos e 3 vinhos.
 
Primeira bateria
Queijos:
Sainte-Maure (Cabra, Brasil);
Brie AOC (Vaca, França);
Taleggio DOP (Vaca, Itália)
Vinhos:
Cheverny Blanc Le Vieux Clos (Domaine du Salvard, Loire, França);
Reserva Terroir Pinot Noir (Terranoble, Casablanca, Chile);
Nebbiolo Langhe DOC (Araldica, Piemonte, Itália)

Segunda bateria
Queijos:
Pecorino Romano DOP (Ovelha, Itália);
Manchego DOC (Ovelha, Espanha);
Gorgonzola DOP (Vaca, Itália)
Vinhos:
Paso de Piedra Cabernet Sauvignon (Viña Alicia, Mendoza, Argentina); Chianti Rufina Fattoria di Basciano (Renzo Masi, Toscana, Itália); Château Ramón (Monbazillac, França);


Veja a apresentação aqui!

 










 


  

 

16.7.12

Confraria: Queijos e Vinhos

O Queijo costuma ser um parceiro constante do vinho mundo afora. Quem nunca promoveu ou foi convidado para um “Queijos e Vinhos”? Apesar de 'comum', a harmonização entre os dois não é tão simples e requer atenção e planejamento. A seguir dou algumas dicas para uma boa seleção de queijos e os vinhos que devem acompanhá-los.

Queijos:
uma boa seleção de queijos deve contar com pelo menos 5 variedades: Queijos de mofo branco (Brie ou Camembert); Queijos de mofo azul (Gorgonzola ou Roquefort); Queijos tipo suíços (Gruyère); Queijos suaves (Emmenthal ou Gouda); Queijos mais fortes (Parmesão ou Provolone) e Queijos especiais (Rambol).

Vinhos:
em geral e para a decepção de muitos, a maioria dos queijos combinam mais com vinhos brancos devido a sua consistência e gordura. Para sermos mais democráticos, podemos seguir uma regrinha bem fácil:
Queijos Moles vão melhor com Vinhos Brancos e Queijos Duros preferem os Vinhos Tintos. Para os vinhos brancos, prefiram os feitos com as uvas Sauvignon Blanc, Chardonnay e Riesling. Para os tintos, tentem os mais leves e com boa acidez, como os italianos Valpolicella e Chianti ou uvas leves como a Pinot Noir. Alguns queijos fortes como o Parmesão podem harmonizar com tintos mais encorpados, como um Cabernet chileno.

Harmonizações Clássicas:
Algumas harmonizações já se tornaram verdadeiros clássicos à mesa como o Queijo Chévre (cabra) com a uva Sauvignon Blanc; o Queijo Brie com a uva Chardonnay e o Queijo Gruyère com a uva Pinot Noir. Mas, sem dúvida, uma das mais excitantes combinações entre queijos e vinhos é a do salgado queijo Roquefort com um vinho doce de sobremesa, de preferência um bom Sauternes francês.

Agenda:
A Confraria do João "Queijos e Vinhos" será dia 31 de Julho, terça-feira, na Enoteca Decanter.
Tintin!


 

29.3.12

Na temperatura certa

Já falei sobre temperatura em um post anterior mas vale retomar este assunto que julgo fundamental em uma degustação de vinhos.

Para transformar um simples ato de beber em um 'evento' excitante para todos, devemos seguir alguns passos com cuidado: escolher e comprar o vinho; decidir o prato para a harmonização e organizar as taças são apenas os primeiros passos deste ritual. Após tanta dedicação seria um insulto para nossos sentidos servir o vinho na temperatura errada!
A temperatura tem grande impacto sobre o sabor do vinho. Servir um vinho quente ou gelado demais é um enorme passo para estragar o líquido de uma boa garrafa. Se o vinho for servido em temperatura muito baixa fica ‘fechado’ e esconde seus aromas; muito quente, deixa o álcool muito aparente. Em contrapartida, servido na temperatura certa, o vinho fica muito mais interessante na boca, equilibrando acidez, taninos, amargor, álcool e doçura.
Regras: Quanto mais leve um vinho, mais resfriado deve ser servido. Assim, um Beaujolais (tinto leve) deve ser servido a +- 13°C. Já um tinto encorpado com taninos, como um Barolo, pode ser servido menos frio, 19°C. A regra vale para os vinhos de todas as cores.

Para acertar na temperatura utilize um termômetro para vinhos, acessório barato e bastante útil. Para quem não tem adega climatizada, pode-se resfriar o vinho na geladeira facilmente: em média, a cada 10 minutos a temperatura cai 2ºC. Após abertos, o vinho branco deve ser acondicionados em um balde de gelo para manter a temperatura de serviço até o final da garrafa.

TinTin!
Foto: Tintos & Brancos, Saul Galvão
Texto publicado na Revista Alpha Report, Edição 7

21.3.12

A bola da vez!

O Brasil está na crista da onda mundial. As previsões estimam investimentos perto dos 250 bilhões de dólares nos próximos 4 anos. Juntamente com a ascensão ao posto de 5ª economia mundial – posição que devemos alcançar no ano da Copa!, o Brasil também deve ultrapassar o Reino Unido e ocupar o 3º lugar no ranking mundial de investimentos, ficando atrás apenas dos EUA e China. Estes investimentos alavancam diversos segmentos da economia, entre eles, o mercado de vinhos finos.

Um exemplo pontual e significativo do interesse mundial no Brasil, no que se refere à vinhos de qualidade, é o ‘recente’ interesse dos franceses no Brasil. Nos dias 7 e 8 de Março, a Union des Grands Crus de Bordeaux, numa ação inédita no país, trouxe mais de 50 produtores para degustações em São Paulo e Rio de Janeiro. A desculpa, ou melhor, o tema, foi o lançamento da excelente safra 2009.

A SAFRA 2009

Qualidade: após a apresentação oficial, podemos afirmar que a safra 2009 tem tudo para ser uma das melhores da história em Bordeaux. As condições climáticas – o famoso terroir, foram quase perfeitas e as uvas puderam atingir com plenitude sua maturidade. Uma particularidade chamou a atenção: apesar do evidente potencial de guarda, os vinhos mostram maciez suficiente para serem consumidos desde já, algo raro para um Bordeaux jovem e conveniente para um mercado cada vez mais imediatista, com menos consumidores dispostos a guardar vinhos por anos até que fiquem ‘prontos’. Podemos adjetivar os vinhos da safra 2009 como (extremamente) elegantes, equilibrando com perfeição os taninos, firmes mas finos, com uma ótima acidez, que lhes conferem excepcional frescor e (ainda mais) aptidão para a mesa e, por fim, álcool totalmente integrado.

Preços: a última grande safra em Bordeaux foi 2005. A situação econômica mundial na época era próspera – num momento pré-crise financeira, e os vinhos chegaram ao mercado com preços elevadíssimos. Tudo leva a crer que a safra 2009 deve seguir o mesmo caminho, infelizmente. Três motivos devem contribuir para a alta dos preços: a qualidade excepcional da safra; a recuperação econômica mundial e a entrada de ‘novos’ consumidores como a China que alavancam os preços dos vinhos, principalmente os TOPs de Bordeaux.

Tomara que os impostos não aumentem ainda mais, tornando os grandes vinhos de Bordeaux, já caros, totalmente inacessíveis! (leia mais sobre este assunto no post anterior)

TinTin!